Quando se fala em novo rap, geral já pensa em trap, drill ou boom bap. Mas a real é que existem várias vertentes do rap que estão rolando pelo mundo — algumas mais experimentais, outras mais underground, mas todas com potencial de abrir tua mente e até influenciar tua próxima track.
Se liga nessa lista com subgêneros do rap pouco falados, mas que todo artista de música urbana precisa conhecer. Respeita a história, entende a vibe e, quem sabe, você até se encontra em um som novo.
1. Lo-fi Rap / Chillhop
Um rap calmo, com beat suave, ambiência relax e letras introspectivas. É tipo a trilha sonora de quem tá de boa fumando um ou escrevendo na madruga.
🎧 Vibe: Jazz, boom bap suave, voz baixa, flow manso
📌 Referência: Kota the Friend, Nujabes, J. Cole (algumas faixas)
2. Cloud Rap
O som é etéreo, meio “nas nuvens”. Beats com synths leves e reverbs pesados, flow arrastado, letra emocional. Muito usado por quem fala de tristeza, vício ou viagem mental.
🎧 Vibe: introspectiva, melancólica, sonora
📌 Referência: Yung Lean, Bones, Lil Peep
3. Jazz Rap
Mistura clássica entre o flow do rap e os instrumentos orgânicos do jazz. Aqui a vibe é consciente, poética, com muito sample e mensagem.
🎷 Flow com alma e sabedoria
📌 Referência: A Tribe Called Quest, Guru (Jazzmatazz), Tyler, The Creator (fase antiga)
Veja também: Como descobrir se você é bom na rima? Dicas do Murb

4. Grime
Direto de Londres, o grime é rápido, agressivo, com batidas secas e rimas afiadas. É primo do trap, mas com DNA britânico.
🎧 BPM alto, sotaque carregado, letra cortante
📌 Referência: Skepta, Stormzy, Dizzee Rascal
5. Rap Experimental / Avant-Garde Rap
Aqui é onde tudo se desconstrói. Batida estranha, flow fora do padrão, letra filosófica ou surreal. Não é pra qualquer ouvido, mas é arte pura.
🎧 Pra quem quer fugir da fórmula
📌 Referência: Death Grips, clipping., Milo
6. G-Funk
Clássico da costa oeste dos EUA, com influência pesada do funk dos anos 70. Grave arrastado, sintetizador melódico e muito estilo no flow.
🎧 Vibe californiana, gangsta e dançante
📌 Referência: Snoop Dogg (antigo), Warren G, Nate Dogg
7. Political Rap / Rap militante
É o rap como arma. Letras que denunciam racismo, sistema, violência e desigualdade. Tem flow, tem punch, mas tem mais ainda: consciência.
🎤 Pra quem quer rimar e fazer revolução
📌 Referência: Public Enemy, Racionais MCs, Kendrick Lamar (várias faixas)
8. Phonk
Mistura de rap sujo dos anos 90 com estética sombria e vibe underground. Tem elementos do Memphis rap, batidas abafadas, e muitas vezes, vocais distorcidos.
🧪 Clima escuro, vibe underground
📌 Referência: DJ Smokey, $uicideboy$, Night Lovell
Bate-papo com Pr1nce sobre o novo Rap

Na crescente cena do rap nacional, um nome que vem ganhando espaço e trazendo identidade é o do artista PR1NCE. Representando o extremo sul de São Paulo, ele chega com a mixtape “Cria da Sul”, um projeto que apresenta sua caminhada na música urbana e mergulha na diversidade de estilos que compõem o rap contemporâneo. Do boom bap ao drill, passando por flows acelerados e batidas agressivas, PR1NCE costura referências sonoras com vivência real da quebrada.
“Cria da Sul” não é apenas um título — é uma declaração de origem, resistência e presença. A mixtape conecta faixas escritas ainda na adolescência, quando PR1NCE tinha apenas 14 e 15 anos, com composições mais recentes, finalizadas em 2024. Essa mistura revela o amadurecimento do artista ao longo dos anos, mantendo a essência da quebrada como base de tudo. Entre rimas sobre dor, superação, ambição e realidade, o projeto entrega um som cru, verdadeiro e carregado de energia — uma marca dos subgêneros que movimentam o rap de hoje.
Com um flow afiado e atitude no mic, PR1NCE mostra que o novo rap brasileiro tem espaço pra inovação e autenticidade, transitando por diferentes vertentes e criando uma identidade única dentro da música urbana. Ele é parte de uma nova geração que entende a força da diversidade sonora e lírica no hip hop.
Como foi o seu processo no começo? Até encontrar seu estilo musical?
“Quando comecei, meu primeiro som até que foi bom, mas como os ritmos mudam rápido e tem muita mistura, eu fui testando, vendo onde minha voz se encaixava melhor. Mas, no fim das contas, eu sou artista, mano. Não me limito a um estilo só. Se rolar fazer um trap, eu faço. Se for rap, também. Se for samba, tamo junto. Eu sou música, tá ligado?”
Na sua opinião, o quanto a versatilidade é importante pra um artista se manter relevante na cena?
“Mano, o MC Hariel é desse jeito, tá ligado? Ele manda muito nos funks conscientes, mas agora tá mostrando outros lados também. Lançou até som com o Gilberto Gil, ‘Ideologia’ — já ouviu? Ele começa com um flow de rap, depois traz uma leveza no som. E tem outros sons que são puro funk, mas com uma pegada mais melódica. Dá pra ver o quanto ele é versátil, tem talento de verdade e uma desenvoltura que nem todo mundo tem.”
“Sabe outro cara, mano, que se tiver uma visão mais ampla do background dele vai estourar muito ainda? É o Kadu, mano, o MC Kadu. Ele é muito bom, de verdade. Me lembra até o Neguinho do Caxeta, tá ligado? Que começou fazendo vários funkão estourado, e depois surpreendeu com aquela versão acústica na praia, lembra? O Kadu fez algo parecido, mano. Ele lançou um DVD em versão acústica, cantando mesmo, e isso deu outra visão pra carreira dele. Mostrou que ele vai muito além do que a galera tava acostumada a ver.”
Você curte quando artistas mesclam gêneros?
“Acho que é muito sobre identificação, tá ligado? Tipo o que tá rolando até no Grammy — pegar um ritmo forte lá fora, tipo eletrônico, misturar com um som que é forte aqui no Brasil e criar algo novo. Lá atrás, já teve gente misturando rap com rock, tipo o Eazy-E, o Tupac… Na época ninguém entendeu nada. Então, além da identificação, tem esse lado revolucionário na música, de unir sons e quebrar padrão.”
Como você enxerga essa evolução do rap, que puxa subgêneros como drill, Detroit, Jersey e até o techno?
“Tem também o som de Detroit, né? Que pegou forte por um tempo. Depois do drill, parece até uma árvore genealógica: o rap puxou o drill, aí veio Jersey, Detroit, e até uns sons tipo garage e techno, que já vêm com uma pegada eletrônica diferente. Um estilo que talvez eu vá me apropriar mais é justamente o Jersey e o techno, mano. Quero experimentar, criar algo diferente que a galera ouça e fale: ‘Que som é esse?’. Inclusive tem uma música minha, Visões e Desejos, que traz essa mistura — começa num clima e, no meio, vira um beat com influência de techno e Grime. É uma vibe tão única que nem sei explicar de onde veio, só senti e fiz.”
No fim das contas, mano, eu vou continuar fazendo rap. Gosto muito de boom bap, que foi até o estilo do meu primeiro som — mesmo sem nunca ter lançado um. Não quero perder o que já foi pavimentado por outros artistas: fazer rap com sample, criar a partir dessa raiz.”
“Nessa mixtape, eu trouxe várias referências: Jersey, trap com funk, love song trap, trap com jazz (o que eu chamo de jazzle), trap mais pesado, tipo um VEP trap, e agora até techno.”
“Cada som representa uma fase da minha vida. Tem música que comecei a escrever com 14, 15 anos. Às vezes nem tem explicação direta — são sentimentos e momentos. A maioria das músicas fala sobre correria, sobre lutar pra fazer minha arte virar, pagar as contas, buscar sucesso. É sobre sair da dificuldade, mesmo que eu nem goste muito de usar essa palavra.”
O Novo Rap
Mesmo se tu for do trap ou do funk, estudar essas vertentes pouco conhecidas do rap pode te ajudar a criar algo único, com identidade. E no game da música urbana, quem tem identidade, chama atenção.
E aí, curtiu descobrir sobre as novas vertentes do rap?
Então bora usar essas influências no Murb, o app que te dá liberdade criativa pra testar beats diferentes, gravar com efeito, mixar e lançar tua track com um clique. Lá tem beat de tudo quanto é estilo — do trap ao jazz rap. Só puxar o mic e botar o coração no som e fazer o novo rap acontecer.