Funk na playlist, mas preconceito no olhar. O ritmo que nasceu nas favelas, cresceu nas comunidades e hoje domina os charts do Brasil e do mundo ainda é alvo de um preconceito velado e às vezes escancarado.
Em pleno 2025, o funk tá nas festas, nas academias, nos vídeos virais, nas propagandas e nos carros que passam com o som no talo. Mas basta um funkeiro subir no palco ou aparecer numa entrevista que os julgamentos vêm junto: “bandido”, “sem cultura”, “apologia”, “má influência”.
A pergunta que fica é: por que o país ama o funk, mas rejeita o funkeiro?
A moda é funk, mas e o respeito?
Hoje em dia é “chique” curtir funk. Tem artista pop sampleando beat de 150 BPM, tem marca de grife chamando MC pra desfile, tem comercial de banco com batida de comunidade. Mas enquanto o funk é apropriado e repaginado pra caber na estética da elite, quem nasceu e vive disso ainda é desvalorizado.
Quantos MCs que vieram da favela têm espaço nas grandes mídias? Quantos são tratados com o mesmo respeito que artistas de outros gêneros? A real é que o Brasil consome o funk, mas quer apagar a raiz, a cara e a cor de quem criou esse movimento.
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O preconceito é de classe e de cor
Boa parte do preconceito com o funk tem nome: racismo estrutural. O incômodo com a estética do funkeiro, com as gírias, com os clipes gravados na quebrada, com o ouro no pescoço e o cabelo descolorido, não é só sobre estilo. É sobre um país que não aceita ver o preto e o favelado vencendo. E o funk é isso: vitória. É arte que transforma dor em hit, é voz que rompe o silêncio imposto pela sociedade.
O funk é cultura, sim!
É preciso parar de tratar o funk como um “entretenimento descartável” ou uma “fase”. O funk é música urbana, é movimento social, é expressão cultural. É tão arte quanto qualquer outro gênero, com sua estética própria, sua escrita autêntica, sua forma de contar histórias reais.
E mais: o funk salva vidas. É fonte de renda, de autoestima, de identidade e de transformação. Enquanto uns criticam o que não entendem, milhares de jovens encontram no funk uma chance de viver da sua arte.
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Chegou a hora de mudar a visão
Se você curte ouvir um 150 pra dançar, cantar e fazer vídeo, também precisa refletir: você respeita quem faz esse som? Ou só consome o produto e descarta o criador?
A gente precisa debater isso. E mais do que isso, valorizar quem constrói o funk no dia a dia. O respeito tem que vir antes do play.