Mesma origem, duas linguagens. O futebol e o rap sempre foram irmãos, conheça alguns jogadores rappers da atualidade.
Antes de virarem craques nos gramados, muitos jogadores cresceram nas mesmas ruas, ouvindo as mesmas batidas, vivendo as mesmas histórias que alimentam o rap. Não é coincidência que tantos atletas de alto nível também se aventurem no microfone — é continuidade. É identidade. É a mesma voz que grita no campo e rima no estúdio.
Esses jogadores provam que talento não cabe numa só caixa.
Memphis Depay: O holandês mais brasileiro do rap
Se tem um jogador que leva a carreira musical tão a sério quanto a bola, esse jogador é Memphis Depay. O holandês tem várias músicas disponíveis nas principais plataformas de streaming desde 2018, e em 2020 lançou seu próprio álbum, intitulado Heavy Stepper.
Com passagens por Lyon, Barcelona e Corinthians, Memphis carrega o rap como parte da sua identidade, não como hobby, mas como expressão de quem ele é. Letras sobre superação, origem e identidade negra. Do campo ao estúdio, o mesmo personagem.
Gabigol: Lil Gabi nas quatro linhas e fora delas
Gabriel Barbosa, o Gabigol, revelou que sua história com a música vem de muito antes do futebol. Na Fazenda do Menor, em Feira de Santana, Bahia, onde estudou, a música foi o primeiro caminho que encontrou para trilhar sua trajetória e ajudar a família, depois veio o futebol.
Sob o nome artístico Lil Gabi, o atacante já lançou músicas autorais e tem uma parceria confirmada com Memphis Depay a caminho. Os dois já revelaram que farão uma colaboração musical em breve, um feat que une dois dos jogadores mais ligados ao rap no futebol brasileiro. Dentro do Flamengo, virou ídolo. No microfone, virou personagem. Nos dois mundos, autêntico.
Rafael Leão: Way 45, o craque que nasceu no bairro e vive no microfone
Sempre teve música em casa: o pai cantava semba e o tio era DJ. O hip-hop foi o estilo que fez sentido desde cedo especialmente pela mensagem de crescer na periferia, que ele vivia na pele no Bairro da Jamaica, no Seixal, Portugal.
No estúdio, assina como Way 45, que e uma homenagem ao bairro onde cresceu: a junção do código postal da Jamaica (2845) com o termo ‘way’, ou seja, ‘caminho’. Um nome que já diz tudo sobre de onde veio e o que carrega.
Lançou o álbum de estreia Beginning em 2021, e em 2023 chegou com My Life in Each Verse — 17 faixas que transitam entre hip-hop, trap, soul e R&B, com participações de artistas portugueses e angolanos. Hoje faz parte de uma editora independente e usa sua visibilidade para abrir portas para novos talentos de Portugal que têm talento, mas não têm acesso ao estúdio.
Quando questionado sobre o que une futebol e rap, Leão foi direto: seu som é construído sobre emoção bruta, experiências reais e crescimento pessoal, as mesmas forças que o movem dentro de campo. Zlatan Ibrahimovic chegou a zoar a carreira musical do companheiro de Milan. Leão respondeu da única forma que sabe: lançando mais música.
Alex Iwobi: Don’t Shoot, quando o jogador fala pelo microfone
Alex Iwobi faz música há anos, mas começou a fazer freestyle ainda na escola em Londres. Seu primeiro single lançado foi Don’t Shoot, uma música sobre o que ele viveu e viu crescendo na cidade, que ele hesitou em lançar por temer que as pessoas vissem o rap como distração do futebol.
Mas Iwobi entendeu que uma coisa não apaga a outra, as duas são a mesma história. O rap foi a forma que ele encontrou de dizer o que não cabe num campo de futebol.
Amadou Onana: 24AM: o mais novo da fila
Meio-campista do Aston Villa, Amadou Onana é um dos mais novatos entre os jogadores que fazem rap. O senegalês naturalizado belga lançou seu primeiro single em 2024, intitulado Check On Me, que já acumula quase 100 mil reproduções no Spotify. No rap, assumiu a identidade artística de ’24AM’ — uma junção entre o número de sua camisa e as iniciais do seu nome.
Jovem, global e com história pra contar, o perfil perfeito pra quem cresce dentro do hip-hop.
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O estúdio como extensão do vestiário, a realidade dos jogadores rappers
Futebol e rap compartilham a mesma origem: a periferia, a necessidade de provar valor num mundo que não te dá espaço, a arte de transformar dor em performance. O sonho mais acessível para jovens das comunidades é o esporte e a música, porque é aí onde há mais representatividade. Quando um jogador pega o microfone, ele não está saindo do personagem, ele está sendo mais inteiro do que nunca.

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