Portal Murb

Hip Hop e Poesia na periferia através dos Slam

Hip Hop e Poesia na periferia através dos Islan

A poesia sempre foi a base da quebrada, muito antes dos beats e dos microfones, sendo uma forma de resistência e expressão nas periferias. É o grito da rua transformado em arte, onde a vivência vira verso e o sentimento vira voz. Presente em saraus, slam e movimentos culturais, a poesia urbana continua conectando gerações e inspirando artistas do hip hop, com o rap, trap e funk consciente.

Em São Bernardo, o movimento Slam é um dos que vêm mantendo essa chama acesa. Formado por jovens que acreditam na palavra como arma e cura, o coletivo usa a poesia falada como ferramenta de transformação social. É o poder da rima sem beat, mas com a mesma intensidade do hip hop.

A conexão entre poesia e hip hop é natural. As duas nascem do mesmo solo: a realidade da quebrada. Ambas são sobre resistência, autoestima e voz. O rap é poesia com batida. O slam é rap sem beat. É tudo parte do mesmo corre, da mesma luta, do mesmo amor pela arte e pela verdade.

 

Veja também: O Hip Hop como Ferramenta de Terapia: Com o Rapper e Psicólogo Soul Afra

Hip Hop e Poesia na periferia através dos Islan
Foto: Reprodução SlamcomX

 

Em um mundo onde muita gente tenta silenciar a periferia, a poesia segue sendo microfone e megafone. Ela fala sobre dor, amor, revolta, fé e sonho. E assim como o hip hop, ela mostra que a quebrada não é só carência, é potência.

Conversamos com o NadaLeviano, coordenador e organizador do Slamcomx, que contou um pouco sobre o movimento e a importância da poesia dentro das periferias.

Levi, conhecido artisticamente como NadaLeviano, nasceu no Ceará e foi criado em São Bernardo do Campo. Apaixonado pela escrita desde cedo, sempre se dedicou à criação de textos, poesias e roteiros, o que naturalmente o aproximou da cena cultural da periferia. Iniciou sua trajetória organizando batalhas de rimas e, ao perceber a necessidade de um espaço voltado à expressão poética, passou a se envolver mais diretamente com o movimento da poesia falada. Em março de 2024, conheceu o Slam ABC, em Mauá, que foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo. Inspirado por essa experiência, criou em agosto do mesmo ano o SlamcomX, que também conquistou apoio através da Lei Aldir Blanc. Atualmente, NadaLeviano atua como coordenador e organizador do projeto, consolidando o espaço como uma importante iniciativa de resistência, identidade e valorização da arte periférica.

 

Hip Hop e Poesia na periferia através dos Islan
Foto: Sarara Rodrigues – NadaLeviano

O que é o SlamcomX?

“O SlamcomX é um movimento que reúne artistas de várias vertentes do hip hop e da cultura periférica — não apenas poetas, mas também grafiteiros, atores e produtores culturais. O projeto promove competições de poesia falada, com seletivas regionais que dão acesso aos campeonatos estadual, nacional, intercontinental e até mundial.”

 

Como ocorrem as competições geralmente?

“Em cada edição do Slam, os poetas apresentam poesias autorais de até três minutos, com cronômetro e notas de 0 a 10 dadas por um grupo de três a cinco jurados. Esses jurados podem ser escolhidos da plateia ou convocados previamente, não conversam entre si e suas notas definem quem avança para as próximas fases até a final. Em caso de empate, acontece o ‘paredão’, quando os jurados escolhem individualmente o vencedor. Mais do que uma disputa, o Slam valoriza o espaço de expressão e enxerga a poesia como forma de resistência — a competição é só o tempero, a poesia é a essência.”

 

Existe algum padrão nos critérios ou cada Slam é de um jeito?

“As apresentações do Slam são simples: só corpo e voz, sem objetos cênicos. O microfone é opcional e o texto pode ser lido, mas sem usar o caderno ou celular como parte da performance. As temáticas ficam a critério do artista, salvo em edições especiais com temas definidos. O Slam é um movimento de resistência, né? Ocupa espaços antes negados às periferias e mantém o foco na luta contra a desigualdade, evitando patrocínios de empresas que exploram trabalhadores.”

 

Como as pessoas reagem quando conhecem esse movimento?

“Sempre tem pessoas que vão pela primeira vez por curiosidade e acabam se engajando. A poesia não tem critérios rígidos — o mais importante é que ela toque o coração. Quem quiser começar precisa superar a vergonha e ir com medo mesmo, porque a maior dificuldade é o constrangimento. Participar do Slam ajuda muito no desenvolvimento pessoal e na expressão; é um verdadeiro exercício de corpo e fala, como o teatro.”

 

Conselho para quem se interessou e quer participar do Slamcomx?


“O melhor conselho é ir com medo e vencer a vergonha. Também é importante estudar e ler, porque os artistas que admiro estão sempre buscando evoluir. Pesquisar sobre os Slans nas redes sociais ajuda muito, já que o movimento está crescendo nas cidades do ABC e em São Paulo. Participar dos eventos também é essencial, porque o Slam desenvolve a expressão e a consciência cultural. E aproveitando, quero deixar um convite: no dia 23 de novembro vai rolar uma edição do Slamcomx — se quiser colar, é nóis! E quem quiser me trombar, tô dando oficina gratuita de escrita criativa na CCM Cidade Ademar, em SP.”

 

 

A presença de movimentos como o SlamcomX mostra que a cena poética das periferias segue viva e pulsante. E mais do que isso, que ela é base e inspiração para tudo que é produzido na música urbana. Cada verso declamado nas praças, cada rima solta nas batalhas, cada linha escrita num caderno é parte dessa mesma cultura que transforma vidas todos os dias.

Cite suas poesias no Murb

PUBLICIDADE

Related Posts

Capa de Álbum: Por Que Ela Vale Tanto Quanto a Música
Capa de Álbum: Por Que Ela Vale Tanto Quanto a Música
Antes de qualquer pessoa ouvir sua música, ela vai ver sua arte. Em uma playlist com dezenas de álbuns, são...
Como Melhorar Seu Flow e Se Destacar no Rap Nacional em 2026
Como Melhorar Seu Flow e Se Destacar no Rap Nacional em 2026
Do treino vocal à presença de palco: o guia definitivo para MCs que querem evoluir o flow no rap de...
Jogadores de Futebol que São Rappers: Do Campo ao Microfone
Jogadores de Futebol que São Rappers: Do Campo ao Microfone
Mesma origem, duas linguagens. O futebol e o rap sempre foram irmãos, conheça alguns jogadores rappers da atualidade. Antes de...
5 Letras do Rap Brasileiro que Marcaram a História e Revelam o Brasil Real
5 Letras do Rap Brasileiro que Marcaram a História e Revelam o Brasil Real
O rap sempre soube o que o noticiário tentava esconder. Antes das redes sociais, antes dos podcasts, antes do jornalismo...
7 MCs Femininas do Rap Brasileiro que Você Precisa Conhecer em 2026
7 MCs Femininas do Rap Brasileiro que Você Precisa Conhecer em 2026
O rap feminino brasileiro nunca esteve tão forte — e essas 7 artistas provam isso. O rap feminino brasileiro vive...
Qual Música de Funk Combina Mais com Você? Descubra!
Qual Música de Funk Combina Mais com Você? Descubra!
Você já se perguntou qual música de funk combina mais com a sua personalidade? Com tantos estilos diferentes dentro do...
Compra de Plays nos Streams: o atalho que pode prejudicar a carreira de um artista
Compra de Plays nos Streams: o atalho que pode prejudicar a carreira de um artista
No mundo da música digital, os números viraram uma espécie de vitrine. Quantidade de plays, seguidores e ouvintes mensais muitas...
O que é Rap? Explicação simples e divertida para crianças entenderem a cultura Hip Hop
O que é Rap? Explicação simples e divertida para crianças entenderem a cultura Hip Hop
A música está em todos os lugares. No rádio, na internet, nos filmes e até nas brincadeiras. Mas você já...
MC Livinho: Frases conscientes que também marcam o Funk Brasileiro
MC Livinho: Frases conscientes que também marcam o Funk Brasileiro
O MC Livinho é um dos nomes mais conhecidos do funk brasileiro e da música urbana. Dono de vários sucessos,...

Enjoyed the Content?

Receive exclusive content & weekly updates